Direitos epistêmicos como direitos humanos: a análise retórico-dissociativa e a retórica decolonial
DOI:
https://doi.org/10.14198/hexis.32503Palabras clave:
análise retórico-dissociativa, colonialidade do saber, direitos epistêmicos, direitos humanos, epistemicídio, retórica decolonial, retórica pós-colonialResumen
A proposta é, pelo método da análise retórico-dissociativa, reconhecer com Mignolo que a era da abstração universal conheceu recentemente o seu ocaso e que, portanto, a velha matriz colonial do poder que se caracterizou fundamentalmente pela distribuição racial do saber e que legitimou o assujeitamento de inúmeros povos, de religiões e de diferentes epistemologias precisa ceder seu espaço para uma nova reorganização mundial caracterizada pela recessão cada vez mais determinante das perspectivas mono-tópicas do passado. A hipótese é pensar esses novos direitos como direitos epistêmicos que nascem dessa renovada postura como autênticos direitos humanos fundamentais e que demandam proteção de todos os Estados nacionais num contexto mundial de descredenciamento de um tipo de geopolítica cartográfica do conhecimento que perpetuou a lógica da colonialidade e da inferiorização de culturas consideradas periféricas. Não há como se falar hoje em respeito à dignidade da pessoa humana sem o correspondente respeito ao que lhe é próprio, sua história, seu idioma, seus saberes e práticas ancestrais, etc. Assim, a retórica decolonial é apresentada como instrumento crítico para combater o epistemicídio, provincializar pretensões universais excludentes e ampliar, em chave intercultural, o horizonte normativo dos direitos humanos.
Citas
Arendt, Hannah (1989): Origens do totalitarismo. Tradução de Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras.
Aristóteles (2005): Retórica. Prefácio e introdução de Manuel Alexandre Júnior. Tradução e notas de Manuel Alexandre Júnior, Paulo Farmhouse Alberto e Abel do Nascimento Pena. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
Aristotle (2003): Topics: Books I and VIII, with excerpts from related texts. Translated with a commentary by Robin Smith. Oxford: Clarendon Press – Oxford University Press.
Baudrillard, Jean (1985): À sombra das maiorias silenciosas. O fim do social e o surgimento das massas. Tradução de Suely Bastos. São Paulo: Brasiliense.
Carneiro, Sueli (2023): Dispositivo de Racialidade. A Construção do Outro como Não-Ser como Fundamento do Ser. Rio de Janeiro: Zahar.
Castro-Gómez, Santiago; Ramón Grosfoguel [eds.] (2007): El giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores – Universidad Central – Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos – Pontificia Universidad Javeriana – Instituto Pensar.
Césaire, Aimé (1980): Discours sur le colonialisme. Paris: Présence Africaine.
De Marsillac, Narbal (2014): «Viragem Retórica, Viragem Pragmática e Superação da Metafísica». Revista Aufklärung. Journal of Philosophy, 1(2): 165-180. DOI: https://doi.org/10.18012/arf.2016.21177
De Marsillac, Narbal (2017): «Direitos Humanos e Retórica Pós-Moderna». Revista Brasileira de Direito, 13(3): 318-341. DOI: https://doi.org/10.18256/2238-0604.2017.v13i3.1674
De Marsillac, Narbal (2021): Retórica e Direitos Humanos. Santa Catarina: Appris.
De Marsillac, Narbal (2024): «Filosofia e Técnica Argumentativa Retórico-Dissociativa: sua aplicação ao preconceito, ao discurso de ódio e aos Direitos Humanos». Philósophos. Revista de Filosofia, 29(1): 1-38. DOI: https://doi.org/10.5216/phi.v29i1.78438
Dussel, Enrique (1994): 1492: el encubrimiento del otro. Hacia el origen del «mito de la modernidad». La Paz: Plural Editores.
Dussel, Enrique (1995): Filosofia da libertação. Crítica à ideologia da exclusão. Tradução de Georges I. Maissiat. São Paulo: Paulus.
Foucault, Michel (2012): A ordem do discurso. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Loyola, 22.ª ed.
Freud, Sigmund (1969): «Psicologia de grupo e a análise do ego», em Sigmund Freud: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Traduzido do alemão e do inglês, sob a direção-geral e revisão técnica de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago.
Garza Toledo, Enrique de la [coord.] (2021): Crítica de la razón neocolonial. Prólogo de Julio César Neffa. Buenos Aires: CLACSO – Universidad Autónoma de Querétaro.
Goodman, Nelson (1990): Maneras de hacer mundos. Traducción de Carlos Thiebaut. Madrid: Visor.
Gross, Alan G.; Ray D. Dearin (2003): Chaim Perelman. Albany: State University of New York Press.
Habermas, Jürgen (2002): O discurso filosófico da modernidade: doze lições. Tradução Luiz Sérgio Repa e Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes.
Han, Byung-Chul (2017): Topologia da violência. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes.
Hatch, Justin D. (2019): «Dissociating Power and Racism: Stokely Carmichael at Berkeley». Advances in the History of Rhetoric, 22(3): 303-325. DOI: https://doi.org/10.1080/15362426.2019.1671705
Hovland, Carl Iver; Irving Lester Janis; Harold H. Kelley (1964): Communication and Persuasion. Psychological Studies of Opinion Change. New Haven/London: Yale University Press.
Kundera, Milan. (1988): A Arte do Romance. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Melkevik, Bjarne (2010): Droit, mémoire et littérature. Québec: Presses de l’Université Laval.
Mignolo, Walter D. (2007): «Delinking. The rhetoric of modernity, the logic of coloniality and the grammar of de-coloniality». Cultural Studies, 21(2-3): 449-514. DOI: https://doi.org/10.1080/09502380601162647
Nietzsche, Friedrich (1986) Além do bem e do mal. Prelúdio de uma filosofia do futuro. Tradução de Márcio Pugliesi. São Paulo: Tecnoprint.
Nietzsche, Friedrich (1995): Da retórica. Prefácio e tradução de Tito Cardoso e Cunha. Lisboa: Passagens.
Panikkar, Raimon (2004): «Seria a noção de direitos humanos um conceito ocidental?», em César Augusto Baldi [org.]: Direitos humanos na sociedade cosmopolita. Rio de Janeiro: Renovar.
Perelman, Chaïm; Lucie Olbrechts-Tyteca (2008): Traité de l’Argumentation. La Nouvelle Rhétorique. Préface de Michel Meyer. Bruxelles: Éditions de l’Université de Bruxelles, 6ª ed.
Platão (2010): Teeteto. Tradução de Adriana Manuela Nogueira y Marcelo Boeri. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Porter, James E. (1990): «Divisio as em-/de-powering topic. A basis for argument in rhetoric and composition». Rhetoric Review, 8(2): 191-205. DOI: https://doi.org/10.1080/07350199009388893
Quijano, Aníbal (2020): Cuestiones y horizontes. De la dependencia histórico-estructural a la colonialidad/descolonialidad del poder. Selección y prólogo de Danilo Assis Clímaco. Buenos Aires/Lima: CLACSO – Universidad Nacional Mayor de San Marcos.
Ritivoi, Andreea Deciu (2008): «The Dissociation of Concepts in Context. An Analytic Template for Assessing Its Role in Actual Situations». Argumentation and Advocacy, 44(4): 185-197. DOI: https://doi.org/10.1080/00028533.2008.11821689
Rorty, Richard (2005): Verdade e progresso. Tradução de Denise R. Sales. Barueri, SP: Manole.
Santos, Boaventura de Sousa (2010): A Gramática do Tempo. Para uma Nova Cultura Política. São Paulo: Cortez, 3.ª ed.
Santos, Boaventura de Sousa (2019): O Fim do Império Cognitivo. A Afirmação das Epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica.
Schapira, Charlotte (2012): «Distinguo, concedo, nego: La réfutation par distinguo». Syntaxe & Sémantique, 13: 87-102. DOI: https://doi.org/10.3917/ss.013.0087
Schiappa, Edward (1985): «Dissociation in the arguments of rhetorical theory». Journal of the American Forensic Association, 22(2): 72-82. DOI: https://doi.org/10.1080/00028533.1985.11951304
Spivak, Gayatri Chakravorty (2010): Crítica de la razón poscolonial. Hacia una historia del presente evanescente. Traducción de Marta Malo de Molina. Madrid: Akal.
Vattimo, Gianni (2002): O Fim da Modernidade: Niilismo e Hermenêutica na Cultura Pós-Moderna. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Narbal de Marsillac, Danielly Pereira Clemente, Álvaro Jáder Lima Dantas

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0.
