Conversações entre dom Quixote e jovens estudantes: retórica e comicidade
DOI:
https://doi.org/10.14198/hexis.32790Palabras clave:
Cervantes, comicidade, diálogo, discrição, Dom Quixote, estudantes, retóricaResumen
O presente artigo tem a preocupação de examinar alguns episódios da segunda parte do Quixote nos quais intervêm personagens estudantes que desenvolvem diálogos amenos com o cavaleiro. Embora as intervenções desses estudantes ocorram em sequência, não se estabelece entre eles nenhuma relação de continuidade, uma vez que cada um desses diálogos se situa em um núcleo temático próprio: o do Cavaleiro dos Leões, o das Bodas de Camacho e o da gruta de Montesinos. Os estudantes que dialogam com dom Quixote nesses episódios se situam nas bordas de cada uma das sequências narrativas e ocupam momentos especiais que têm sobretudo a função de trazer o deleite e a suavidade dos discursos para a narração. No diálogo de dom Quixote com dom Lorenzo — o filho do Cavaleiro do Verde Gabão — ocorre um jogo retórico no qual os papéis iniciais que cada um deles deveria desempenhar se invertem, produzindo o cômico em meio a uma conversação sobre poesia. Na sequência, surge o encontro com os dois estudantes, o Licenciado e Corchuelo, que introduzem o cavaleiro na celebração das bodas de Camacho. E em meio à conversação, um deles formula de forma cabal o conceito de discrição que articula a fala com as atitudes. A continuação, já no espaço reservado às bodas, dom Quixote entra em contato com o Primo, que o conduzirá até a gruta de Montesinos. A conversação com o Primo também está marcada pela comicidade e pelo tom satírico que interfere em sua configuração. Os diálogos que o cavaleiro estabelece com os estudantes lhe conferem momentos amenos nos quais predominam o entendimento e a paz entre todos.
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