Argumentação stricto sensu e argumentação indireta
DOI:
https://doi.org/10.14198/hexis.32882Palabras clave:
argumentação, argumentação indireta, argumentação stricto sensu, dialogismo, discurso, esquematização, orientação argumentativa, persuasão, referenciação, retóricaResumen
Há três problemáticas da argumentação fundadas por três tradições diferentes. A argumentação como uma atividade de pensamento, a argumentação como uma atividade de discurso e a argumentação como uma atividade de língua. A primeira tem origem na tradição lógica, que dá primazia ao raciocínio lógico e às formas lógicas de expressão do pensamento. A segunda segue a tradição retórica, que situa a argumentação em um gênero retórico e associa a argumentação à persuasão através de vários mecanismos, como os valores, as opiniões, os argumentos, os domínios de avaliação etc. A terceira, de tradição mais recente, está integrada aos estudos linguísticos e postula uma argumentatividade geral da linguagem. É sobretudo nessa terceira tradição que se situam os estudos sobre a argumentação indireta, que não passa necessariamente por estruturas argumentativas clássicas, nem inclui uma questão argumentativa clara, tampouco uma contra-argumentação. Nosso propósito será problematizar diferentes mecanismos da argumentação indireta, avaliando como eles atuam em textos não declaradamente argumentativos. Esses mecanismos são essenciais para se pensar a argumentação no discurso. Para tanto, o artigo distingue a argumentação stricto sensu da argumentação indireta e examina, em perspectiva enunciativa e pragmática, procedimentos como a orientação argumentativa, a referenciação, a esquematização, a modalização, a gestão do dialogismo interno e a hierarquização de pontos de vista. As análises de textos opinativos, títulos jornalísticos, capas de revistas e páginas de jornal popular mostram que escolhas lexicais, descritivas, narrativas e multimodais podem orientar inferências, avaliações e representações socioculturais sem assumir uma forma argumentativa explícita.
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