Vencer pela língua: o preconceito linguístico como estratégia retórico-discursiva

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.14198/dissoc.30597

Palabras clave:

Preconceito linguístico, Variação linguística, Discurso, Argumentação, Retórica, Redes sociais

Resumen

Este artigo objetiva analisar o preconceito linguístico como um fenômeno discursivo e argumentativo no quadro da crise democrática das sociedades contemporâneas. Em um contexto marcado pelas diversidades, a maneira como certos grupos subalternizados utilizam a língua pode ser instrumentalizada para justificar discriminações e, com isso, fortalecer discursos antidemocráticos que silenciam sujeitos e grupos sociais e perpetuam desigualdades. Nesse sentido, esta pesquisa, de natureza bibliográfica e de abordagem qualitativo-interpretativa, busca compreender as implicações retórico-discursivas desse preconceito a partir de um corpus formado por fragmentos de interações nas redes sociais, em que se evidenciam práticas de exclusão simbólica e de apagamento de vozes dissidentes. Para tanto, adota-se uma metodologia de pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativo-interpretativa, buscando construir uma visão panorâmica e exploratória do uso argumentativo desse preconceito. Articulam-se, nestas páginas, conceitos da Sociolinguística, da Retórica e da Análise do Discurso. O corpus analisado, de caráter exclusivamente exemplificativo, evidencia as práticas recorrentes, sobretudo no espaço digital, de exclusão e de apagamento de vozes sociais pela desqualificação de sua imagem, de seu ethos. Por fim, defende-se a necessidade de democratização do acesso à norma culta da língua portuguesa e a valorização das variações existentes no país. Além disso, caracterizar o preconceito linguístico como um argumento falacioso de silenciamento de sujeitos e grupos sociais marginalizados é uma prática contra-hegemônica que pode contribuir para a democratização dos espaços de interação sociodiscursiva e para a redução de hierarquias impostas por estruturas de poder historicamente instituídas.

Financiación

Este trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Código de Financiamento 88887.948825/2024-00.

Citas

Alkmim, T. M. (2012). Sociolinguística (parte I). In F. Mussalim & A. C. Bentes (Eds.), Introdução à linguística: domínios e fronteiras (Vol. 1, pp. 23-50). Cortez.

Amossy, R. (2016). O ethos na intersecção das disciplinas: retórica, pragmática, sociologia dos campos. In R. Amossy (Ed.), Imagens de si no discurso: a construção do ethos (pp. 119-144). Contexto.

Bagno, M. (2015a). A língua de Eulália: novela sociolinguística. Contexto.

Bagno, M. (2015b). Preconceito linguístico. Parábola Editorial.

Barton, D., & Lee, C (2015). Linguagem online: textos e práticas digitais. Parábola Editorial.

Camacho, R. G. (2012). Sociolinguística (parte II). In F. Mussalim & A. C. Bentes (Eds.), Introdução à linguística: domínios e fronteiras (Vol. 1, pp. 51-83). Cortez.

Cerqueira, D., & Bueno, S. (2024). Atlas da violência 2024. Ipea, FBSP. https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/4600-atlasviolen- cia2024.pdf

Cezario, M. M., & Votre, S. (2020). Sociolinguística. In M. E. Martelotta (Ed.), Manual de linguística (pp. 141-156). Contexto.

Charaudeau, P. (2019). Linguagem e discurso: modos de organização. Contexto.

Ferreira, L. A. F. (2023). Leitura e persuasão: princípios de análise retórica. Contexto.

Fiorin, J. L. (2020). Argumentação. Contexto.

Fonseca, C. L. W. (2004). Família, fofoca e honra: etnografia de relações de gênero e violência em grupos populares. Editora da UFRGS.

Gnerre, M. (2009). Linguagem, escrita e poder. WMF Martins Fontes. Kemp, S (2025). Digital 2025: Brazil. DataReportal. https://datareportal.com/reports/digital-2025-brazil

Lagares, X. C., & Bagno, M. (2023). Políticas linguísticas normativas: tensões em contextos pós-coloniais e minoritários. In J. A. Windle & M. M. G. Savedra (Eds.), História, política e contato linguístico (pp. 87-118). Eduff.

Leite, M. Q. (2008, September). Português culto e popular: entrelaçamentos. In O português do Brasil, Portugal e África: aproximações e distanciamentos [Simpósio]. I SIMELP - Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, São Paulo. https://simelp.fflch.usp.br/slp18

Leite, M. Q. (2022). Preconceito e intolerância na linguagem. Contexto.

Lucchesi, D. (2021). Língua, norma, nação e ideologia. In M. M. G. Savedra, T. C. de A. S. Pereira & X. C. Lagares (Eds.), Glotopolítica e práticas de linguagem (pp. 183-198). Eduff.

Lucchesi, D. (2023). As origens históricas do racismo linguístico no Brasil. Re- vista Z Cultural (UFRJ), 18, 1-20. https://revistazcultural.pacc.ufrj.br/as-origens-historicas-do-racismo-linguistico-no-brasil/

Lucchesi, D., & Savedra, M. M. G. (2023). Mudança linguística e contato entre línguas. In J. A. Windle & M. M. G. Savedra (Eds.), História, política e contato linguístico (pp. 15-52). Eduff.

Muniz-Lima, I (2024). Linguística textual e interação digital. Pontes Editores.

Paveau, M.-A. (2022). Análise do discurso digital: dicionário das formas e das práticas. Pontes Editores.

Pietri, E. de. (2018). O ensino de português no Brasil: as desigualdades da distribuição linguística. Educação em Revista, 34, 1-30.

https://doi.org/10.1590/0102-4698180137

Romualdo, E. C., & Brandão-Silva, F. (2022). A norma padrão e o purismo linguístico como lugares de polarização política. In F. Brandão-Silva, E. C. Romualdo & H. B. Pereira (Eds.), Da Variação Linguística à "Pedagogia da Variação": descrição e ensino de Português (pp. 67-96). Pedro e João Editores.

Roncarati, C. (2008). Prestígio e preconceito linguísticos. Cadernos de Letras da UFF - Dossiê: Preconceito linguístico e cânone literário, 36, 45-56.

Santos, C. A. R. (2012). A doxa como estratégia argumentativa na narrativa esportiva de futebol na televisão. Cadernos Discursivos, 1, 1-19. https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/595/o/1Artigo_Cristiane.pdf

Seixas, R. (2019). Entre a retórica do impeachment e a do golpe: análise do conflito de lógicas argumentativas na doxa política brasileira. (Tese de doutorado, Universidade Federal de Minas Gerais).

Seixas, R. (2023). O terreno pantanoso da doxa. EID&A - Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, 23, 142-160. https://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/view/3741 https://doi.org/10.47369/eidea-23-2-3741

Descargas

Publicado

28-05-2026

Cómo citar

Paes, W. E. (2026). Vencer pela língua: o preconceito linguístico como estratégia retórico-discursiva. Discurso & Sociedad, 20(2), 643–670. https://doi.org/10.14198/dissoc.30597

Número

Sección

Miscelánea